O Novo Pelotão de Elite: Quem são os influenciadores que dominam a corrida no Brasil em 2025
A corrida de rua no Brasil mudou. Se antes a busca era apenas por planilhas de treino e calendários de provas, hoje o corredor amador consome um universo complexo de conteúdo digital. O Instagram se tornou a nova "pista" onde a cultura da corrida é moldada, produtos são validados e a motivação diária é renovada. Com base em uma análise do cenário atual (2024-2025), mapeamos como os principais criadores de conteúdo estão dividindo a atenção dos corredores brasileiros em nichos cada vez mais especializados. Confira quem está ditando o ritmo nas redes.
1. A Mídia Híbrida: Entre o Jornalismo e o "Pastel"
Dois nomes veteranos continuam sendo os pilares de informação, mas com abordagens opostas. De um lado, Sergio Rocha (@corridanoar) consolidou-se como a voz crítica e jornalística do segmento. Com o quadro Corrida no Ar News e sua newsletter, ele atua como uma espécie de "ombudsman" do esporte, trazendo dados estatísticos de maratonas, combatendo a desinformação e promovendo a consistência com o "Desafio Todo Santo Dia".
Do outro lado, Marcel Agarie (@maniadecorrida) representa o entretenimento e a identificação. Jornalista e autointitulado "corredor da vida real" (que ama pastel e cerveja), Agarie quebra a barreira da intimidação do esporte. Seu conteúdo mistura a cobertura de grandes maratonas internacionais (Majors) com o humor sobre as dores e delícias de ser um amador, criando uma conexão imediata com quem corre pela diversão e não apenas pelo recorde.
2. Os "Gearheads": A Tecnologia nos Pés
Com os "super tênis" ultrapassando a barreira dos R$ 2.000,00, ninguém compra sem antes consultar os especialistas. Eduardo Suzuki (@teniscerto) lidera esse nicho com reviews técnicos detalhados, analisando peso, drop e espumas de entressola. Seu perfil virou um hub de ofertas, guiando o consumidor na "Black November" e em lançamentos.
A grande sacada do canal foi a inclusão de Valery Mello (@valery_mello). Enquanto Suzuki traz a frieza dos dados, Valery traz a narrativa emocional. Mãe e ex-contadora que se tornou Six Star Finisher (completou as seis maiores maratonas do mundo), ela valida os produtos através de uma jornada de superação real, conectando-se profundamente com o público feminino que busca equilibrar maternidade, trabalho e performance.
3. A Força da Narrativa: Alana Sicoli e a Corrida como Cura
No segmento de lifestyle e inspiração, Alana Sicoli (@euescolhicorrer) destaca-se por construir uma das comunidades mais fiéis do Instagram. Sua influência vai muito além das fotos estéticas na Europa; ela se baseia em vulnerabilidade. Alana começou a correr há mais de uma década como forma de terapia para combater depressão pós-parto e distúrbios alimentares, uma origem que ressoa com milhares de mulheres que buscam no esporte uma ferramenta de saúde mental, e não apenas física.
Sua jornada para se tornar uma Six Star Finisher (concluinte das seis maiores maratonas do mundo: Boston, Londres, Berlim, Chicago, Nova York e Tóquio) foi marcada por uma transparência rara. Ela enfrentou abertamente críticas sobre elitismo no esporte ao se qualificar para Boston via agência de turismo, transformando o "hate" em um debate necessário sobre inclusão no amadorismo. Recentemente, emocionou seguidores ao completar o circuito em Tóquio logo após um luto familiar, reforçando sua marca de resiliência.
Comercialmente, Alana também é um case de sucesso. Diferente de influenciadores que apenas divulgam marcas, ela co-criou linhas de produtos licenciados de longa duração, como óculos e viseiras com a marca HUPI, provando que sua audiência converte engajamento em consumo real.
4. A "Running Era": Estética e Viagem
Uma nova geração transformou a corrida em um acessório de estilo de vida. A principal expoente é Dani Freire (@danifreire), que capturou a atenção da Geração Z e dos Millennials com a estética "Running Era". Com vídeos dinâmicos focados em looks, beleza e a celebração de ser maratonista, ela fala com um público majoritariamente feminino (quase 77%) que vê na corrida uma forma de expressão visual e identidade.
No nicho de turismo, Julia Sette (@sette_julia) ensina como "conhecer o mundo correndo". Seu perfil é um guia prático de travel running, focando em dicas de vestuário funcional para viajantes e roteiros internacionais, muitas vezes produzindo conteúdo em casal, o que amplia seu espectro de identificação.
5. Democratização e Propósito
Talvez a tendência mais importante seja a diversificação das vozes. A corrida está deixando de ser um monólogo de elite para se tornar um diálogo plural.
O Motivador do Povo: Pedro Paulo Amorim (@treinadorpp), direto do subúrbio do Rio de Janeiro, viralizou com o bordão "Correr é bom demais, tá maluco!". Sem cenários luxuosos, ele entrega motivação bruta e acessível, provando que a alegria do esporte é gratuita.
A Voz da Comunidade: Debora Taylor traz o ativismo para a pista. Fundadora do Project Run, o primeiro grupo liderado somente por negros no Brasil, ela discute a ocupação do espaço urbano e o combate ao racismo através do esporte, inspirando mulheres e a comunidade negra a reivindicarem seu lugar nas ruas.
O Professor dos Iniciantes: Yann Rodrigues (@yannrodrigues) usa uma linguagem rápida, herdada do TikTok, para desmistificar a corrida. Seus vídeos curtos ensinam o básico para quem está começando do zero, reforçando que "a corrida não julga ninguém".
Conclusão
O ecossistema de corrida no Brasil em 2025 é vasto. Seja você um "viciado" em tênis de placa de carbono, um iniciante buscando o primeiro 5km, ou alguém que quer apenas viajar e correr, existe um influenciador falando a sua língua. A dica é: siga quem te motiva a levantar do sofá, mas mantenha o senso crítico afiado — afinal, o que importa mesmo é o tênis no asfalto.
